A saída de Vitor Neves e a defesa da representação comunitária em Nova Itamarati


Em entrevista ao podcast Itamarati em Foco, apresentado por Demis Toledo, o então subprefeito Vitor Neves falou publicamente sobre sua exoneração do cargo. Segundo ele, a informação chegou por meio de terceiros e o motivo apresentado teria sido político. Vittor afirmou que não foi comunicado diretamente pelo prefeito Eduardo Campos e classificou a atitude como deselegante. Ainda assim, disse que não retornará à subprefeitura, mas que continuará defendendo a comunidade e a agricultura familiar.
Durante o programa, Vitor resgatou sua trajetória. Filho de José Carlos e Maria Aparecida, começou sua atuação nos movimentos sociais aos 14 anos, na Igreja Católica, passando pela Pastoral da Juventude Rural, pela CPT e pelo CEBI. Também afirmou ter orgulho de ser agricultor familiar assentado da reforma agrária pelo MST. Antes de chegar a Nova Itamarati, foi candidato a vereador em Novo Horizonte do Sul pelo PT, em 2000, quando perdeu por 18 votos. Já em Itamarati, atuou como professor, participou de projetos de agroecologia, produção orgânica, algodão agroecológico e economia solidária. Formou-se em Tecnólogo em Agroecologia pela UEMS e fez pós-graduação pela UFGD.
Na gestão pública, entrou a convite do então prefeito Hélio, com duas condições: continuar morando em seu sítio e não ser candidato a vereador. Depois, seguiu na administração com Dr. Eduardo e, posteriormente, foi convidado por Natália para assumir a subprefeitura durante sua campanha. Vittor destacou a parceria com a vereadora Natália, afirmando que ela sempre teve compromisso com Nova Itamarati e que ambos construíram uma relação de respeito e amizade. Para ele, a presença dela como vereadora fortaleceu o distrito e trouxe benefícios por meio de emendas e articulações políticas.
Sobre a exoneração, Vittor disse ter ficado constrangido com a forma como tudo aconteceu. Ele relatou que mantinha um acordo político com o prefeito Eduardo, mas que recebeu a notícia por outra pessoa. Apesar da mágoa, afirmou que sai de cabeça erguida e que não guarda ressentimentos. “Eu posso ter sido destituído do cargo de subprefeito, mas eu sou Itamarati”, declarou. Ele também pediu que o próximo subprefeito seja alguém da própria comunidade, que conheça as demandas reais do distrito e não precise de anotações para saber onde estão os problemas.
Ao final, Vitor agradeceu à família, à equipe da subprefeitura e à comunidade. Defendeu a união dos moradores após o período eleitoral e reforçou a importância da emancipação de Nova Itamarati. Segundo ele, a emancipação é o caminho para que a comunidade tenha autonomia e resolva seus próprios problemas. Mesmo fora do cargo, garantiu que continuará lutando pela agricultura familiar, pelos produtores de leite e pelas famílias do distrito. “O Vittor sempre vai ser da Itamarati”, concluiu.
A entrevista evidencia que, mais do que uma disputa política, o caso envolve a necessidade de representação comunitária na gestão pública. A saída de Vitor Neves deixa uma pergunta central: quem melhor para cuidar de Nova Itamarati do que alguém que nasceu, vive e conhece a realidade local?
Confira na integra o Podcast: https://www.youtube.com/watch?v=-PkZkqcpttE





Comentários