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Cooperativa no Assentamento Itamarati movimenta economia local e busca licença ambiental em Ponta Porã

Foto do escritor: Demis Toledo
Demis Toledo
15 de jun.
3 min de leitura

A COOPERAGROITA, que atende dezenas de famílias do maior assentamento do país, deu entrada no pedido de Licença de Instalação e Operação para ampliar suas atividades com defensivos agrícolmos

Ponta Porã (MS) – Um movimento silencioso, mas de grande impacto social e cultural, ganhou corpo nos últimos dias no Distrito de Nova Itamarati, a cerca de 77 km da sede de Ponta Porã. A COOPERAGROITA – Cooperativa Agroindustrial do Assentamento Itamarati MS tornou público, por meio do Diário Oficial do Município (Edição 4954, de 29 de maio de 2026), seu pedido de Licença de Instalação e Operação (LIO) junto à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA).

A iniciativa não é apenas um trâmite burocrático. Representa um capítulo importante na trajetória de um dos maiores e mais simbólicos assentamentos rurais do Brasil, berço de lutas, resistência e, mais recentemente, de organização econômica e cultural.

Raízes na terra, olhos no futuro

O Assentamento Itamarati, que deu origem ao distrito de Nova Itamarati, foi criado há mais de duas décadas a partir da desapropriação da antiga Fazenda Itamaraty. O que era latifúndio transformou-se em lar para milhares de famílias de trabalhadores rurais sem-terra, que construíram, com suor e cooperação, escolas, postos de saúde e uma identidade própria.

A cultura local é marcada pela forte presença de comunidades de origem paraguaia, indígena e de migrantes sulistas, criando um caldeirão de saberes que se expressa na culinária, nas festas de colheita e na música de raiz. A COOPERAGROITA, fundada no seio dessa diversidade, tornou-se o principal braço econômico da região, escoando a produção de mandioca, leite, milho e hortaliças para programas governamentais como o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) – que, inclusive, teve sua prestação de contas aprovada pelo Conselho de Alimentação Escolar na mesma edição do Diário Oficial.

O pedido de licença e os desafios do desenvolvimento

De acordo com o aviso publicado, a cooperativa requereu a LIO para a atividade de código 1.14 – estabelecimento comercial de insumos agropecuários e defensivos agrícolas com depósito de agrotóxico. O empreendimento estará localizado na Rodovia BR 164, km 77, zona rural, sob as coordenadas geográficas 22° 11’ 2.24” Sul e 55° 34’ 2.63” Oeste.

Um ponto que chama a atenção é a informação de que não foi determinado o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) para o empreendimento. A decisão, baseada em legislação municipal e estadual, levanta um debate sensível: como conciliar o desenvolvimento econômico da agricultura familiar com a preservação ambiental e a saúde das comunidades?

Por outro lado, lideranças comunitárias e ambientalistas temem o risco de contaminação do solo e da água, especialmente porque a região é rica em nascentes que abastecem córregos afluentes do Rio Dourados. “O assentamento sempre foi um exemplo de agroecologia. Precisamos garantir que essa licença venha acompanhada de fiscalização rigorosa e educação ambiental”, pondera uma professora da escola local.

Impacto social: trabalho e identidade

Mais do que números, a COOPERAGROITA representa esperança de permanência no campo. O jovem que antes pensava em migrar para Ponta Porã ou Dourados vê na cooperativa uma chance de continuar na terra onde nasceu, preservando os laços familiares e as tradições comunitárias.

A expectativa é que a SEMMA analise o pedido nos próximos meses, ouvindo as partes interessadas e definindo condicionantes. Enquanto isso, a COOPERAGROITA segue como símbolo da complexa – e necessária – travessia do campo brasileiro: do acampamento à empresa, da sobrevivência à sustentabilidade, sempre com os pés na terra e os olhos no futuro.

Reportagem:

Com informações do Diário Oficial de Ponta Porã (Edição 4954) e apuração local.

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